Mostrando postagens com marcador espiritualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espiritualidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A espiritualidade que procuro

Ricardo Gondim
Busco uma espiritualidade que
não aceite que vivemos no melhor mundo possível
não seja fatalista
não gere elitismo entre os crentes
não busque nenhum privilégio divino
não discrimine pessoas que pensam diferente
não se apóie em méritos para obter bênçãos
não tenha um Deus lá fora que é chamado para perto
não torça pelo inferno – qualquer um
não transfira para o Paraíso cobiça dissimulada na terra
não queira converter ninguém à certeza, mas ao amor.
Busco uma espiritualidade que
opte pelo diálogo acima do monólogo
revele milagre nas iniciativas encarnadas
identifique a Imago Dei no próximo
não se acovarde na insegurança de um mundo contingente
prefira construir pontes e não muralhas
reconheça Deus ao lado do oprimido e não do opressor
goste da companhia de gente singela
se atreva cogitar pacifismo como opção existencial
combine graça com ternura
entenda o caminho de Jesus repousando sobre a amizade
cuide do planeta antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sobre a Fé

A fé é a capacidade de ver o mundo com os olhos do coração. É olhar a terra com os olhos do céu. É acreditar que depois da nuvem vem um sol.

Homens e mulheres de fé costumar sonhar de olhos bem abertos.

A fé alimenta a esperança e impulsiona o amor.

Pe Joãozinho.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Santos e anjos

Não somos seres carnais tentando ter experiências espirituais, somo seres espirituais vivendo experiências carnais.

Somos anjos de uma asa só. Para voar precisamos do próximo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Espiritualidade de cima e de baixo

por Anselm Grüm


Existem duas correntes na história da espiritualidade, entre outras. Existe uma espiritualidade de cima e uma espiritualidade de baixo.


A espiritualidade de cima começa pelos ideais que nós nos impomos. Parte das metas que o homem deve alcançar através da ascese e da oração. Os ideais que levam a isto são obtidos do estudo da Sagrada Escritura, da doutrina moral da Igreja e da idéia que o homem faz de si mesmo. A pergunta básica desta espiritualidade de cima é: Como deve ser o cristão? Que é que o cristão deve fazer? Que atitudes deve ele assimilar? A espiritualidade de cima nasce do anseio do homem de tornar-se sempre melhor, por subir sempre mais alto, por chegar cada vez mais perto de Deus. A psicologia moderna vê com bastante ceticismo esta forma de espiritualidade, porque com ela o homem corre o riso de ficar interiormente dividido. Quem se identifica com seus próprios ideais, freqüentemente reprime sua própria realidade, se ela não estiver em harmonia com estes ideais e assim, o homem fica interiormente dividido e enfermo.


A espiritualidade de baixo significa que Deus não nos fala unicamente através da Bíblia e da Igreja, mas também através de nós mesmos, daquilo que nós pensamos e sentimos, através de nosso corpo, de nossos sonhos, e ainda através de nossas feridas e de nossas supostas fraquezas. Essa espiritualidade de baixo está na clássica frase: "Se queres chegar ao conhecimento de Deus, trata de antes conhecer-te a ti mesmo". O subir até Deus passa pelo descer até a própria realidade e pelo chegar às profundezas do inconsciente. A espiritualidade de baixo não vê o caminho para Deus como uma estrada de mão única que nos leva sempre em frente, em direção a Deus. Pelo contrário, o caminho para Deus passa por erros e rodeios, pelo fracasso e pela decepção consigo mesmo. O que me abre para Deus não é, em primeiro lugar, a minha virtude, mas, sim, minha fraqueza, minha incapacidade, ou mesmo o meu pecado.


Na espiritualidade de baixo, entretanto, não se trata apenas de ouvir a voz de Deus naquilo que eu penso e sinto, nas minhas paixões e enfermidades, e de assim descobrir a imagem que Deus fez de mim. Também não se trata apenas de subir a Deus descendo a minha realidade. Trata-se, antes, na espiritualidade de baixo, de que, ao chegar ao fim de nossas possibilidades, nós estejamos abertos a uma relação pessoal com Deus. A verdadeira oração, dizem os monges, surge do mais profundo de nossa miséria, e não das nossas virtudes.


A espiritualidade de baixo é o caminho da humildade... Não devemos entender a humildade como uma virtude que nós mesmos sejamos capazes de conquistar, para isso bastando que "nos humilhemos" e nos rebaixemos. A humildade é, em primeira linha, uma virtude social... a palavra latina humilitas está relacionada com humus, com terra. A humildade, portanto, é o reconciliar-nos com nossa condição terrena, com o peso que nos puxa para baixo, com o mundo de nossos instintos, com o nosso lado sombrio. A humildade é a coragem de aceitar a verdade sobre si mesmo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre a espiritualidade

O essencial de nossa espiritualidade está em termos um coração que sabe compartilhar os sentimentos, que se deixa tocar, que sente, que ama.

Anselm Grun

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dimensão econômica e a Igreja

Hoje, nossa sociedade corre o risco de se deixar determinar totalmente pela dimensão econômica. Tudo é avaliado segundo pontos de vista econômicos. Isso priva o ser humano de seu verdadeiro valor. A Igreja tem a tarefa de engajar em favor das pessoas. Abrindo o céu para o ser humano, ela cria para ele um espaço de liberdade, de modo que ele não se deixe determinar por interesses puramente econômicos.

Ansem Grun

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Busca Espiritual

Muitos, ao buscarem um caminho espiritual, não se sentem compreendidos pelos que estão ao seu redor. Pois em cada de um de nós se encontra essa ânsia mais profunda – em última instância, por uma vida a partir de Deus e com Deus. Porém, muitas vezes nós reprimimos essa ânsia. Quando alguém próximo a nós se põe no caminho da espiritualidade, então ele nos lembra essa ânsia reprimida. Nós não queremos assumir nossa ânsia. Então corremos o perigo de desvalorizar a busca espiritual do outro. São, sobretudo, as pessoas que se interessam apenas por dinheiro e sucesso que ridicularizam a espiritualidade das outras pessoas, para fugirem do próprio remorso. Pois há nelas uma voz lhes dizendo que a vida não é só dinheiro e sucesso.

Anselm Grun

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Do mundo vrtual ao espiritual

Por Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibet, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno. Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonalds.

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"