sábado, 19 de setembro de 2009

Tempo


Amor

Fonte: Folha de São Paulo, 18/09/2009
Autor: Adão Iturrusgarai

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cristianismo é prática

Mas o cristianismo não é apenas teoria: é sobretudo prática, vivência no cotidiano do amor misericordioso do Pai, transbordante em Jesus Cristo, robustecido pelo Espírito Santo. Uma vivência que deve se desdobrar dentro de casa, em família, nas relações pessoais e comunitárias, nos escritórios, nas fábricas, nas praças, nos parlamentos, nos campos e florestas, em todo este “vasto mundo, nossa paróquia” – para usar uma expressão do teólogo Yves Congar.

Fonte: O Domingo Semanário Litúrgico 13/09/2009
Autor: Domingos Zamagna

Fé e Obras

Carta de São Tiago, capítulo 2
Bíblia da CNBB

14.
Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria capaz de salvá-lo?
15.
Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia;
16.
se então algum de vós disser a eles: “Ide em paz, aquecei-vos” e “Comei à vontade”, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adianta isso?
17.
Assim também a fé: se não se traduz em ações, por si só está morta.
18.
Pelo contrário, assim é que se deve dizer: “Tu tens a fé, e eu tenho ações! Mostra-me a tua fé sem as ações, que eu te mostrarei a minha fé a partir de minhas ações!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Felicidade

Mãe: Mafalda, estou indo ao mercado. Não abra a porta para ninguém, ok?
Mafalda: OK.
Mafalda: Mamãe… e se for a Felicidade?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Casamentos possíveis

Por CONTARDO CALLIGARIS
Folha de São Paulo - 10/09/2009

UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte: uma vez casados, podemos culpar o casal por boa parte de nossas covardias e impotências.

O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher, filhos e casamento por ele ter desistido de ser o aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito. A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é transformada em acusação: "Você está me impedindo de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".

Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos, não são unicamente masculinas. Certo, os homens são quase sempre assombrados por impossíveis devaneios de grandeza -como se algum destino extraordinário e inalcançável já tivesse sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa, é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.

As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão, capazes de achar graça nas serventias do cotidiano. Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente, para os homens, os limites que a realidade impõe aos sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.

Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional), que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo, para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por causa de marido, filhos e casamento.

Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu marido esconde seus livros de amor e a impede de sair pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.

Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos. Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam diretamente das esperanças que as mães depositam em seus filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser substituída por outra mulher no coração do filho.

Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade, e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".

Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa": a que podemos culpar por nossos fracassos. E essa, repito, não é uma razão para separar-se. Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.

Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro", mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.

Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero: graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem. Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti, passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo, minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim, que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando a paz entre os senhores da guerra da Somália.

Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma voz que confirma minha insuficiência.

À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca, para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói. E a corda arrebenta.

O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e, além disso, não lhe pedir nada.

Difícil.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Qual a melhor religião? Uma pergunta intrigante de Leonardo Boff ao Dalai Lama


Copiei esse post do blog do meu amigo Leandro Nazareth (http://leandronazareth.blogspot.com).

Esse episódio o próprio Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga":

"Santidade, qual é a melhor religião?"

Esperava que ele dissesse:

"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia
contida na pergunta e afirmou:

"A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito".
E continuou:

"É aquela que te faz melhor".

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

"O que me faz melhor?"

Respondeu ele:

"Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável...Mais ético... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."

"E aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta. Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável..." concluiu Leonardo Boff.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

Cora Coralina

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quase nada 19

Por Fábio Moon e Gabriel Bá

sábado, 11 de julho de 2009

Quase Nada 032

Por Fábio Moon e Gabriel Bá

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Medo e a coragem

Grandes medos só podem ser vencidos mediante o cultivo de pequenas coragens.

Pe Fábio de Melo

terça-feira, 7 de julho de 2009

A felicidade está na ação, não na omissão

A nossa dignidade vem da troca que estabelecemos com as outras pessoas, vem da capacidade de amar, de dar. A felicidade está na ação, não na omissão. É o ato de dar que nos engrandece, não a espera do receber. Podemos e devemos receber, inclusive porque o outro tem de dar. Mas é o movimento do dar que é a marca da nossa dignidade humana.

Gabriel Chalita

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos aos que têm sede.

Cora Coralina